terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Untouchable - Capítulo 11 - A utilidade de cortinas de seda

Meia hora depois da situação constrangedora de ser o centro das atenções, provavelmente não por um bom motivo, eu estava lá, sentada na cadeira de balcão fingindo mexer no celular enquanto o Liam me observava.  Era realmente desconfortável porque alguma coisa me dizia que ele não gostava muito de mim. O Harry desapareceu cinco minutos depois de chegarmos, mas eu vou dar um desconto. Ele me perguntou se eu queria dançar, conversar ou conhecer umas pessoas. Mas eu disse não. No momento em que ele saiu de perto de mim as pessoas pararam de me encarar então acho que valeu a pena. Ou pelo menos QUASE todas as pessoas pararam de me encarar. O Liam ainda estava lá, apoiando a cabeça em uma das mãos. Me olhando. Droga, como eu queria mandar ele parar. Mas em vez de dar um tapa nele (que era a minha vontade) eu guardei o celular e disse:
- Você realmente não tem nada mais interessante pra fazer além de ficar ai parado olhando pra minha cara? Estamos numa festa!
- E a rainha da animação está me mandando procurar o que fazer. Tipo “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”, certo? – Ele disse dando um meio sorriso.
- Eu não consigo me divertir com todo mundo me olhando desse jeito. – Eu disse.
- Ah, é difícil não perceber né? Essas pessoas não são nada discretas. – Ele riu.
- Por que você ta sendo legal comigo? Eu sei que você não gosta de mim. – Eu disse com raiva, olhando nos olhos dele.
- Quem disse isso? – Liam fez cara de inocente – Não é verdade. Eu não morro de amores por você mas... Digamos que eu esteja dando uma trégua.
- Você acabou de admitir que não gosta de mim. Xeque mate. – Eu disse sorrindo.
- Achava que você detestava drama. – Ele disse e pela primeira vez, nós dois rimos juntos. – Ok, vamos arranjar alguma coisa pra fazer.
A festa não foi chata. Parece que as pessoas cansaram de ficar me olhando depois de um tempo. Eu até dancei. O Justin não apareceu. Deu tudo certo. Não precisei me esconder, ou usar uma máscara para conseguir me sentir bem.
Eram duas da manhã e estava chovendo. Meu pai tinha voltado pra casa uma hora antes, dizendo que tinha que trabalhar de manhã. Eu pedi pra ficar e ele falou que queria que eu estivesse em casa até as duas e meia. Estava adiantada. Ok, vamos fazer um balanço da situação. Louis e Niall, bêbados. Harry dançando encima de uma mesa. O baile arrumadinho foi por água abaixo depois das onze. Liam, perdido. E o Zayn, aqui do meu lado tentando me ajudar a achar os meninos porque ele veio no carro do Louis. Não estava dando certo. Eu estava cada vez mais convencida de que ia ter que voltar a pé na chuva até que todos os meus pensamentos sumiram. Todos eles foram dominados por um só cheiro. E muitos gritos. Fogo. Não, não pode ser. Eu pisquei. Era verdade. Estava todo mundo correndo e gritando mas ninguém parecia machucado.
Zayn: Fogo! EU NÃO ACREDITO, SÓ PODE SER BRINCADEIRA. DIZ QUE É UMA PEGADINHA.
Você: Eu acho que não Zayn. Rápido, vamos encontrar os meninos. CORRE!
Zayn saiu correndo esbarrando em todo mundo e gritando sem parar “DESCULPE” “DA LIÇENÇA” e eu fiz a mesma coisa. O primeiro a ser encontrado foi o Harry, parece que o fogo deixou ele mais... calmo ou alguma coisa parecida. Ele até estava ajudando. Depois veio o Louis berrando com o Liam apoiado nele, o Liam realmente não parecia bem. Mas não tinha nada a ver com fogo, era só porque ele tinha passado da conta hoje mesmo.
CADE O NIALL?  –berrei.
Liam olhou de olhos arregalados pra mim, olhos que ficaram de repente atentos.
Harry: Eu não sei, não vi ele.
Você: Eu vou procurar e aproveitar pra pegar minha bolsa que eu esqueci.
Zayn: Sua bolsa está aqui – disse mostrando a bolsa.
Você: Ok, mas vão pro carro logo!
Liam: Eu vou com você, procurar o Niall.
Louis: Liam, você nem aguenta ficar de pé.
Harry: Eu vou.
Mas eu não queria que o Harry fosse comigo, ele estava cambaleando. Então eu sai correndo e dei um tapa na mão dele que tentou me segurar.
Zayn começou a berrar o meu nome, cada vez mais alto. Mas eu não me importei, porque as coisas estavam piorando. O fogo estava aumentando. E ninguém sabia onde o Niall estava. Por que ainda não chamaram os bombeiros?
NIALL! – gritei. NIALL! NIALL, VOCÊ ESTÁ ME OUVINDO?
Nenhuma resposta, apesar do calor eu congelei. Tentei de novo.
NIALL! NIALL RESPONDE! NI... Calei a boca. Não precisava mais gritar. Eu tinha encontrado.
Niall estava a cinco metros de mim, do canto de um corredor estreito tomado pelo fogo. Ele estava caído, mas de olhos abertos. Eu sabia que pra chegar até ele teria que passar no meio do fogo. Sai correndo e vi o braço dele se levantar levemente. Desesperada, procurei algum pano, alguma coisa. Encontrei uma cortina de seda e arranquei ela da janela. Era longa, mas seda não ia ajudar em nada. Voltei correndo enrolada na cortina e passei pelo corredor até chegar no Niall. Enrolei um pouco de pano no nariz e na boca dele pra ele não respirar fumaça. O tecido da cortina já estava queimado mas mesmo assim voltei correndo com o Niall pendurado nos meus ombros.
AAAAAAAAAAAAAAH! –berrei feito louca quando meu vestido começou a queimar. As chamas lambiam o tecido mais rápido do que o sol forte derretia um cubo de gelo.
Corri mais um pouco até sair do meio do fogo e mais um pouco. A fumaça me deixava tonta. Estava quase na porta. E então cai.

4 comentários: